terça-feira, 30 de novembro de 2010

Idéias Para Escrever um ótimo Relatório!

Você pensa
Você escreve
O aluno não sabe
O aluno não adquiriu os conceitos, está em fase de aprendizado.
Não tem limites
Apresenta dificuldades de auto-regulação, pois…
É nervoso
Ainda não desenvolveu habilidades para convívio no ambiente escolar, pois…
Tem o costume de roubar
Apresenta dificuldade de autocontrole, pois…
É agressivo
Demonstra agressividade em situações de conflito; usa meios físicos para alcançar o que deseja
É bagunceiro, relaxado, porco
Ainda não desenvolveu hábitos próprios de higiene e de cuidado com seus pertences.
Não sabe nada
Aprendeu algumas noções, mas necessita desenvolver…
É largado da família
Aparenta ser desassistido pela família, pois…
É desobediente
Costuma não aceitar e compreender as solicitações dos adultos; Tem dificuldades em cumprir regras.
É apático, distraído
Ainda não demonstra interesse em participar das atividades propostas; Muitas vezes parece se desligar da realidade, envolvido em seus pensamentos.
É mentiroso
Costuma utilizar inverdades para justificar seus atos ou relatar as atitudes dos colegas
É fofoqueiro
Costuma se preocupar com os hábitos e atitudes dos colegas.
É chiclete
É muito afetuoso; demonstra constantemente seu carinho…
É sonso e dissimulado
Em situações de conflito coloca-se como expectador, mesmo quando está clara a sua participação.
É preguiçoso
Não realiza as tarefas, aparentando desânimo e cansaço. Porém logo parte para as brincadeiras e outras atividades.
É mimado
Aparenta desejar atenções diferenciadas para si, solicitando que sejam feitas todas as suas vontades.
É deprimido, isolado, anti-social
Evita o contato e o diágolo com colegas e professores preferindo permanecer sozinho; Ainda não desenvolveu hábitos e atitudes próprias do convívio social.
É tagarela
Costuma falar mais que o necessário, não respeitando os momentos em que o grupo necessita de silêncio.
Tem a boca suja
Utiliza-se de palavras pouco cordiais para repelir ou afrontar.
Possui distúrbio de comportamento
Apresenta comportamento fora do comum para sua idade e para o convívio em grupo, tais como…
É egoísta
Ainda não sabe dividir o espaço e os materiais de forma coletiva.

Etiquetas: relatórios

Plano de AEE - Deficiência Intelectual

Plano de AEE - DEFICIÊNCIA INTELECTUAL – DI

Caso ANDRÉ

1- Objetivos

  • Proporcionar ao aluno maior independência, qualidade de vida e inclusão social, através da ampliação de sua comunicação (com o uso da comunicação alternativa), mobilidade e controle de seu ambiente, conhecendo as dificuldades e habilidades e indicando suas potencialidades de seu aprendizado, trabalho e integração com a família, amigos e sociedade.


2- Organização do atendimento:

Período de atendimento: Novembro à Dezembro
Freqüência: duas vezes na semana
Tempo de atendimento: 1h e 30 min
Composição do atendimento: individual


3- Atividades a serem desenvolvidas para o aluno:

·        Atividades de desenho, pintura livre e colagem;
·        Jogos que estimulam a pensar como: jogo da memória, quebra-cabeça, caça palavras, jogos de dama, dominós, baralhos ilustrados (animais);
·        Usar ilustrações e fixas de leitura com o objetivo de acostumar o aluno a relacionar a imagem com o texto como: pastas e fichários de comunicação alternativa, pasta e prancha frasal;
·        Jogos on-line, softwares e outros recursos da Tecnologia Assistiva que desenvolvam a comunicação e habilidade;
·        Blocos de encaixe, esquema corporal, brincadeiras de faz de conta e contar histórias com uso de fantoches.


4- Seleção de materiais a serem produzidos para o aluno:

·        Pastas e fichários de comunicação alternativa, pasta e prancha frasal;
·        Pranchas com fotos e gravuras seriadas;
·        Jogo da memória e baralho com figuras de animais;
·        Fichas e cartões simbólicos
5- Adequação de materiais:

·        O material que será utilizado deve estar de acordo com o tema da aula e deve estar em perfeitas condições de modo que não ofereça riscos à criança (utilizar tesoura sem ponta).


6- Seleção de materiais e equipamentos que precisam ser adquiridos:

·        Papel cartão, cartolina, chamex em diversas cores, papel laminado;
·        Cola, tesoura, apontador, lápis de cor e preto, canetinhas, tinta guache, pincéis, giz de cera,
·        Livros, CDS e DVDS com histórias infantis;
·        Fantoches.


7- Tipos de parcerias necessárias:

·        Família; Psicólogo; Fonoaudiólogo; Professor de sala comum; Secretaria de Educação (coordenação inclusiva) e Equipe Gestora da escola.


8- Profissionais da escola que receberão informações do professor de AEE:

·        Professor da sala comum;
·        Profissionais administrativos;
·        Direção;
·        Restante da equipe gestora.


9- Avaliação e Reestruturação do Plano:

·        A Avaliação será feita durante todo o processo de execução, observando suas mudanças positivas, visando se necessário o replanejamento para melhor atingir os objetivos propostos.

10- Resultados Obtidos:


• Espera-se que o aluno desenvolva sua comunicação e socialização;
• Através da alfabetização o aluno alcançará sua autonomia e independência na vida escolar e pessoal;
• Com métodos diferenciados espera-se facilitar o processo de ensino-aprendizagem;
• Integração e participação em todas as atividades promovidas pela escola.

Plano de AEE para aluno com TGD

Plano de AEE para aluno com TGD
TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO

 Caso Samara

1.1 - Objetivos:

·              Aprimorar as funções mentais superiores como a atenção, concentração, percepção, memória, etc.;
·              Oportunizar a aluna a aquisição e desenvolvimento das funções do desenvolvimento, explanando a comunicação, interação social, linguagem, etc., possibilitando um desenvolvimento integral e autônomo;
·              Ampliar o desenvolvimento de atividades no AEE-SRM que envolvam as habilidades e capacidades da aluna.

1.2 – Organização do atendimento:

Período de Atendimento: Setembro a Dezembro
Freqüência: uma vez na semana
Tempo de atendimento: 2 h e 30 min.
Composição do Atendimento: dupla.

1.3 - Atividades a serem desenvolvidas no atendimento ao aluno:

·         Atividades de desenho, pintura livre, recorte, colagem, modelagem, etc.;
·        Uso de técnicas de comunicação aumentativa e alternativa;
·        Jogos e brincadeiras que estimulam a integração, a coordenação motora global, a motricidade, etc.
·         Atividades com recursos concretos de apoio físico e visual, quebra-cabeça, palavras associadas ao objeto, Bonecas, pecinhas de encaixe coloridas, esquema corporal, figura, etc.;
·        Uso da informática acessível para estimular a escrita e a comunicação;
·        Conversa Informal, para contar histórias e depois mostrar outras figuras para a própria aluna contar sua história.
·        Uso de Software com símbolos gráficos, software de pranchas dinâmicas no qual o computador se transforma em ferramenta de voz;
·        Software editor de textos com símbolos gráficos e retorno de voz;
·         Pranchas de comunicação com símbolos gráficos, fotografias, palavras e letras;
·        Alfabetos móveis de vários tamanhos e materiais (emborrachados);


1.4 - Seleção de materiais a serem produzidos para a aluna:

·        Cartões, pranchas e pastas de comunicação aumentativa e alternativa;
·        Cartazes, contendo figuras variadas, como por exemplo, pessoas praticando ações e com figuras de objetos, frutas, animais.
·        Álbum de fotografias da família, amigos, colegas;
·        Baralhos de animais;
·        Quebra-cabeça, ligando a figura ao nome;
·        Fichas com palavras e figuras;
·        Bingos, onde a aluna irá aprender a ler e conhecer os numerais.

1.5 - Adequação de materiais para atender às necessidades da aluna:

Todos os materiais a serem produzidos devem ter um tamanho maior que o normal para chamar atenção da aluna e estarem todos bem cuidados de modo que não venha machucar a criança. Vale ressaltar também que objetos cortantes devem ser evitados e pecinhas muito pequenas podem ser engolidas pela criança, daí surge à necessidade de serem todos maiores e de fácil percepção.

1.6 - Equipamentos e materiais a serem Adquiridos:

·              Jogos com diferentes materiais e tamanhos;
·              Lápis de cor; cola branca, tesoura sem ponta, chamex colorido; papel cartão; cartolina, papel camurça, tinta guache, pincéis de diversos tamanhos, giz de cera, palitos de picolé; canetinhas.
·              Brinquedos, DVDs infantis, CDs, dominós.
1.7 - Parcerias necessárias para aprimoramento do atendimento e da produção de materiais:

·              Profissionais de saúde como: Psicólogo, Fonoaudiólogo; Terapeuta Ocupacional; Psicopedagogo.
·              Família.

1.8 - Profissionais da escola que receberão orientação do professor de AEE sobre serviços e equipamentos:

·              Professor da sala de aula;
·              Equipe pedagógica: diretor, supervisor, orientador educacional, coordenador,
·              Colegas da turma,
·               Funcionários da escola.

2 - Avaliação dos Resultados:

            O plano acima será executado de acordo com o desenvolvimento da aluna onde as suas atividades serão anexadas em seu portfólio individual e o plano em seus registros. Será discriminado o uso dos serviços, recursos e estratégias utilizadas em sala de aula, na família e no AEE, descrevendo-se as dificuldades e progressos da educanda considerando seu desempenho escolar, assim como as possíveis indicações para reestruturação do plano e provisão de novos recursos. E imprescindível à espera por um resultado satisfatório mediante a esse plano de AEE elaborado visto que o mesmo irá aumentar os conhecimentos da aluna em questão e desenvolverá o aspecto afetivo, pessoal e social da mesma.

Plano de AEE - Deficiente Físico!

PLANO DE AEE – DEFICIENTE FÍSICO



Nome: Carla Martins de Araújo (fictício)
Data Nasci: 30/12/06
Serie: 5° ano          Turno: vespertino
Escola Municipal Euzébio Martins da Cunha
Professor de AEE: Urana Nara Moreira


1. OBJETIVOS:

- Oferecer à aluna recursos e estratégias pedagógicas e de Tecnologia Assistiva objetivando remover as barreiras que impedem e/ou dificultam o desenvolvimento da aprendizagem escolar;
- Beneficiar-se da adequação de materiais didático-pedagógicos às suas necessidades;
- Definir estratégias de ensino que desenvolvam o potencial da aluna;
- Utilizar recursos didáticos pedagógicos e equipamentos especiais para sua educação;
- Incentivar a participação gradual da educanda em situações práticas de sua rotina escolar para que a aluna venha desenvolver suas habilidades e potencialidades em busca de uma melhora significativa em seu processo ensino-aprendizagem.


2. ORGANIZAÇÃO DO ATENDIMENTO:

Período de atendimento: outubro à dezembro (trimestral)
Freqüência: duas (duas) vezes na semana
Tempo de atendimento: 60(sessenta) minutos
Composição do atendimento: individual


3. ATIVIDADES À SEREM DESENVOLVIDAS PARA A ALUNA:


-Comunicação aumentativa e alternativa de modo que a mesma envolva diferentes formas de linguagem falada simbolicamente;
-Uso de auxílios para a vida diária e vida prática.
-Informática acessível;
-Adequação de mobiliário para suprir as necessidades da aluna;
-Adaptação de material didático-pedagógico;
-Recursos de acessibilidade ao computador;
-Uso de auxílios para a vida diária e vida prática.

4- SELEÇÃO DE MATERIAIS A SEREM PRODUZIDOS PARA A ALUNA.

-        Prancha para comunicação aumentativa e alternativa;
-        Fixas para percepção: figura x nome, figura x letras e etc.;
-        Alfabeto, números, sílabas e palavras móveis;
-        Pasta e prancha frasal com símbolos;
-        fotos e figuras de atividades seqüenciais;
-        Pranchas temáticas móveis e/ou fixas na parede.


5- ADEQUAÇÃO DE MATERIAIS

-        Papel com pautas largas
-        Engrossadores de lápis
-        Teclados com colméia e mouses adaptados
-        Quadro magnético com imãs fixados em letras

6- SELEÇÃO DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS QUE PRECISAM SER ADQUIRIDOS:

Pincéis atômicos; Jogos especiais para deficientes físicos;
softwares para comunicação alternativa com símbolos gráficos;
fones de ouvido;
Adaptações para a vida diária como: bandejas ou tábuas com recortes  para pratos e copos; pratos com ventosas; copos adaptados, mais pesados, com duas alças e bordas recortadas; talheres, pentes e escova de dente adaptados;
Lápis com engrossador;
Fita crepe para fixar atividades em pranchas;
Papel manilha ou papel embrulho, se não encontrar usar sulfite A1;
Mobiliário arquitetônico para acessibilidade;
Tesoura adaptada;
Aranha-mola;
Órteses para fixar lápis, pincéis, talheres, escova de dente e etc
Apontador adaptado; separadores de páginas com feltro ou espuma; massinhas; plano inclinado; broxas; tintas e etc.
Canetinha, cola com gliter, lápis de cor, E.V.A em diversas cores, dominós, baralhos, dama,  xadrez, papel cartão, cartolina, T.N.T colorido, dicionários, revistas, livros e etc.


7- TIPOS DE PARCERIAS NECESSÁRIAS:

Terapeuta Ocupacional, Psicólogos, Fonoaudiólogo, Psicopedagogo, arquitetos, engenheiros, Fisioterapeuta, Assistência Social, Secretaria de Educação, Secretaria de Educação Especial, Gestores da Escola e etc.


8- PROFISSIONAIS DA ESCOLA QUE RECEBERÃO ORIENTAÇÕES DO PROFESSO DE AEE:

  • Professor da sala de aula;
  • Colegas da turma;
  • Restante da equipe gestora (coordenação, direção, outros professores, merendeiras, porteiras, secretária)



9- Avaliação

A avaliação será feita de forma contínua, para maior percepção dos avanços da aluna. No decorrer do tempo previsto o plano de AEE poderá ser mudado, claro que tal dependerá do desenvolvimento da aluna. Cada atividade desenvolvida será colocada no portfólio individual da aluna e depois será feita uma avaliação geral para detectar se a aluna está adaptando às práticas pedagógicas ou não.

10- REESTRUTURAÇÃO DO PLANO
Depois de verificar os pontos positivos e negativos no portfólio, se houver necessidades de reestruturar o plano da aluna, será necessária a busca de novas parcerias e possivelmente produzir outros recursos que venham atender as práticas educacionais de acessibilidade que a mesma necessita.




sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Como atender alunos com altas habilidades

Crianças superdotadas também precisam de atendimento especializado. Saiba como agir com esse público

Trabalhar com alunos com altas habilidades requer, antes de tudo, derrubar dois mitos. Primeiro: esses estudantes, também chamados de superdotados, não são gênios com capacidades raras em tudo - só apresentam mais facilidade do que a maioria em determinadas áreas. Segundo: o fato de eles terem raciocínio rápido não diminui o trabalho do professor. Ao contrário, eles precisam de mais estímulo para manter o interesse pela escola e desenvolver seu talento - se não, podem até se evadir.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que pelo menos 5% da população tem algum tipo de alta habilidade. No Brasil, até o ano passado, haviam sido identificados 2,5 mil jovens e crianças assim. Para dar um atendimento mais qualificado a esse público, o Ministério da Educação (MEC) criou em 2005 Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação em todos os estados. Apesar de ainda pouco estruturados, esses órgãos que têm o papel de auxiliar as escolas quando elas reconhecem alunos com esse perfil em suas salas de aula.

No Distrito Federal, tal serviço existe desde 1976 - razão pela qual a identificação de jovens com altas habilidades, embora ainda pequena, seja a maior do país. "Aprendi na prática que a superdotação é democrática e pode ocorrer em qualquer aluno, em qualquer local ou classe social e até naquele com alguma limitação física ou psíquica", afirma a atual coordenadora do projeto no Distrito Federal, Olzeni Leite Costa Ribeiro.
Assim como os estudantes diagnosticados com algum tipo de deficiência, os que têm altas habilidades precisam de uma flexibilização da aula para que suas necessidades particulares sejam atendidas, o que os coloca como parte do grupo que tem de ser incluído na rede regular de ensino. "O que devemos oferecer a eles são desafios", resume a presidente do Conselho Brasileiro de Superdotação, Susana Graciela Pérez Barrera Pérez.
Onde buscar ajuda
O superdotado pode ter qualquer perfil, do mais bagunceiro ao braço direito da professora, passando pelo tímido. O que o torna diferente é a habilidade acima da média em uma área específica do conhecimento. Isso pode ter razões genéticas ou ter sido moldado pelo ambiente em que o aluno vive. Raramente, os superdotados têm múltiplas habilidades. Portanto, uma boa pista para encontrá-los é reparar no desempenho e no interesse muito maiores por um determinado assunto.
O professor deve desconfiar de estudantes com vocabulário avançado, perfeccionistas, contestadores, sensíveis a temas mais abordados por adultos e que não gostem de rotina. O Ministério da Educação montou um formulário com 24 frases que ajudam a identificar estudantes assim (confira a lista no quadro "Como identificar a superdotação"). Se você reconhece um de seus alunos como possível superdotado, procure o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação na Secretaria de Educação de seu estado.
Os núcleos têm a obrigação de indicar uma psicopedagoga para avaliar se a criança ou o jovem têm mesmo uma alta habilidade - e encaminhá-lo ao programa oficial de estímulo, com atividades extraclasse e orientações para o professor e a família. Instituições não governamentais também apoiam professores e familiares que procuram ajuda para desenvolver talentos. Alguns exemplos são o Instituto Rogério Sternberg, no Rio de Janeiro, e o Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais da Universidade Federal do Paraná.
Trabalho requer estratégias diversificadas e apoio externo
A professora Lucyana de Araújo Domingues de Andrade tem três superdotadas entre seus 35 alunos da Escola Classe 106 Norte, em Brasília. Beatriz foi identificada com altas habilidades em artes na 1ª série. Laura Helena teve a superdotação em conhecimentos gerais reconhecida quando estava na 2ª. E, este ano, Lucyana percebeu que Daniele tem interesse e capacidade acima da média em todas as disciplinas. Como o Distrito Federal conta com salas de recursos disponíveis na rede pública, as meninas têm acesso duas vezes por semana a atividades de estímulo no contraturno, o que não significa que deem mais sossego à professora.
"São ótimas alunas e, por isso mesmo, me dão mais trabalho do que os colegas", diz. Segundo ela, Beatriz chama a atenção quando faz atividades artísticas e as outras duas perguntam o tempo todo, lembram de detalhes de conteúdo antigo e são muito rápidas na execução de trabalhos. "Terminam em poucos minutos exercícios que entretêm a turma por duas horas", diz. Para mantê-las instigadas, Lucyana chega a dar quatro atividades a mais.
Em Matemática, por exemplo, ela usa folhetos de supermercado para trabalhar as quatro operações. Quando as meninas terminam, pede que aprofundem as questões, pensem como ficaria a conta se houvesse uma promoção ou quais produtos um cliente teria de deixar de comprar se tivesse menos dinheiro do que o valor final. Em Português, todos leram a fábula A Cigarra e a Formiga, de La Fontaine. Em seguida, escreveram os possíveis diálogos dos personagens - e as meninas com altas habilidades foram além. "Perguntei se hoje a cigarra poderia ganhar dinheiro cantando. E elas fizeram uma história a mais."
Lucyana também promove a integração ao pedir que as alunas auxiliem os que têm menor nível de conhecimento. "Às vezes, por explicar com a mesma linguagem infantil, elas conseguem bons resultados ou, pelo menos, percebem que cada um tem uma maneira de aprender", diz. Fora tudo isso, a sala dispõe de um varal de livros, para ser lidos nos intervalos ou quando alguém acaba a atividade antes que os outros. "A maioria pega os exemplares mais ilustrados para folhear. Elas não: leem livros que seriam para crianças mais velhas", conta.
Os superdotados não são iguais e se dividem em vários perfis
Especialistas ressaltam que nem sempre esses alunos são os mais comportados (leia mais no quadro abaixo) e explicam que as altas habilidades são divididas em seis grandes blocos:
- Capacidade Intelectual Geral 
Crianças e jovens assim têm grande rapidez no pensamento, compreensão e memória elevadas, alta capacidade de desenvolver o pensamento abstrato, muita curiosidade intelectual e um excepcional poder de observação.
- Aptidão Acadêmica Específica 
Nesse caso, a diferença está em: concentração e motivação por uma ou mais disciplinas, capacidade de produção acadêmica, alta pontuação em testes e desempenho excepcional na escola.
- Pensamento Criativo 
Aqui se destacam originalidade de pensamento, imaginação, capacidade de resolver problemas ou perceber tópicos de forma diferente e inovadora.
- Capacidade de Liderança 
Alunos com sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, capacidade de resolver situações sociais complexas, poder de persuasão e de influência no grupo.
- Talento Especial para Artes 
Alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou cênicas, facilidade para expressar ideias visualmente, sensibilidade ao ritmo musical.
- Capacidade Psicomotora 
A marca desses estudantes é o desempenho superior em esportes e atividades físicas, velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora fina e grossa.
Mau comportamento pode ser sinal
O histórico escolar de Louis Pasteur, Albert Einstein, Walt Disney e Isaac Newton costuma chocar quem espera um comportamento "exemplar". O francês responsável pelas primeiras vacinas era mau aluno, especialmente em Química. O alemão que elaborou a Teoria da Relatividade fugia das aulas de Matemática. O americano que criou um império do entretenimento foi reprovado em Arte. E, durante a infância, o cientista inglês que primeiro percebeu a gravidade teve de ser educado pela mãe porque foi expulso da escola. Hoje, ninguém duvida de que os quatro eram superdotados, o que ajuda a entender que nem sempre alunos assim são os mais interessados e bem comportados em sala de aula.
O estudante com altas habilidades costuma ter um interesse tão grande por uma das disciplinas que acaba negligenciando as demais. A facilidade de expressar-se, por exemplo, pode ser usada para desafiar o professor e os colegas. Mesmo os mais aplicados dificultam a aula ao monopolizar a atenção. Muitos não querem trabalhar em grupo por não entender o ritmo "mais lento" dos colegas. A descoberta das altas habilidades é o primeiro passo para melhorar esses comportamentos. Primeiro, porque muda o olhar do professor. E também porque o próprio jovem passa a aceitar melhor as diferenças.

Diagnóstico é complexo e depende da atenção do docente
Mesmo nos casos em que não há a certeza de que o estudante tem altas habilidades, o estímulo do professor é bem-vindo. Foi o que pensou Sandra Nogueira quando percebeu o talento de Guilherme Oliveira de Souza, seu aluno da 7ª série da EE Odylo de Brito Ramos, em Teresina. Ela passava pelas fileiras quando notou um desenho muito bom no caderno. "Vi que ele tinha feito um em cada página. Era o conteúdo das aulas na frente e um desenho no verso."
Ela conversou com o garoto, tido como desinteressado pela maioria dos professores, e percebeu sua paixão por imagens. Nas semanas seguintes, apresentou materiais especiais, como pastel a óleo, bico de pena, nanquim e papel apropriado para desenho. "Ele aprendeu vários estilos", conta. Em História da Arte, Guilherme também se destaca. Quando Sandra pede um exemplo de pintura da fase que está sendo estudada, todos colam figuras recortadas - Guilherme reproduz. Em Ciências, ele ajudou a todos ao desenhar em uma parede uma grande flor decomposta, com todas as suas partes (veja foto acima).
Recentemente, quando o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades do Piauí esteve na escola e pediu aos educadores que ficassem atentos à possibilidade de alguns alunos terem altas habilidades, a professora indicou o garoto (que havia chegado até a 7ª série sem ser descoberto). "Agora, os colegas comentam que ele tem estado mais presente também nas outras disciplinas", afirma ela.
Denise Fleith, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (Unb), tem pós-doutorado em altas habilidades no Reino Unido e é formadora de novos especialistas no Brasil. Ela também defende a criação de salas de recurso e acredita que o professor da classe regular pode contribuir com o enriquecimento do currículo. "Ele pode e deve apresentar ao aluno caminhos para o desenvolvimento de seu potencial, desde materiais para pesquisa até contatos de estudiosos dos assuntos."


Como identificar a superdotação
Reserve alguns minutos para listar os nomes dos alunos que logo vêm à sua mente quando você lê as descrições abaixo. Utilize essa lista (preparada pelo MEC) como uma "associação livre" e de forma rápida. É provável que você encontre mais do que um estudante em cada item. Quem exibir consistentemente vários dos comportamentos tem fortes chances de apresentar altas habilidades.
1 Aprende fácil e rapidamente.
2 É original, imaginativo, criativo, não convencional.
3 Está sempre bem informado, inclusive em áreas não comuns.
4 Pensa de forma incomum para resolver problemas.
5 É persistente, independente, autodirecionado (faz coisa sem que seja mandado).
6 Persuasivo, é capaz de influenciar os outros.
7 Mostra senso comum e pode não tolerar tolices.
8 Inquisitivo e cético, está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas.
9 Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes.
10 É esperto ao fazer coisas com materiais comuns.
11 Tem muitas habilidades nas artes (música, dança, desenho etc.).
12 Entende a importância da natureza (tempo, Lua, Sol, estrelas, solo etc.).
13 Tem vocabulário excepcional, é verbalmente fluente.
14 Aprende facilmente novas línguas.
15 Trabalhador independente.
16 Tem bom julgamento, é lógico.
17 É flexível e aberto.
18 Versátil, tem múltiplos interesses, alguns deles acima da idade cronológica.
19 Mostra sacadas e percepções incomuns.
20 Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros.
21 Apresenta excelente senso de humor.
22 Resiste à rotina e à repetição.
23 Expressa ideias e reações, frequentemente de forma argumentativa.
24 É sensível à verdade e à honra.















Fonte:http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/altas-habilidades-489225.shtml